quarta-feira, junho 17, 2009

Verificar problemas acerca do «Serviço de saúde/saúde oral»:




Ao ouvir mais um "programa/debate" (em que é a Senhora Maria Elisa a "chefiar as tropas" – e ainda bem porque ela frui de uma sensibilidade diferente, ela "tem" fibromialgia - lembro-me agora que isso não se "tem" – não era para dizer isto - foi a outra Jeune em mim..) fiquei com vontade de "disparatar" mentalmente... É que ainda me lembro da "aversão" do Professor ( de Medicina Preventiva em Doenças Orais ) enquanto explicava: 1- cárie dentária; 2- a doença periodontal; 3- hipersensibilidade dentária; 4- cancro oral (em que os maiores factores de risco são, claramente, o tabaco e o álcool). Tentarei também irritar-me com ele se irritava (risos)...
Apesar de não "ter" um "eloquente" rigor científico [calma até agora não chego a ter fibromialgia] penso que a formação da placa bacteriana começa pela formação da película de glicoproteínas salivares. Num processo de horas "dá-se" a adesão Cocos Gram +, de 3 a 7 dias passam a Cocos Gram – e, já com uma placa madura aparecem as rebeldes "espiroquetas" que nos levam para a maldita cárie dental ou doença periodontal. Porém, já que se falava tanto das crianças e do contacto com o flúor deveria ser dito (como é óbvio) que quando nascemos a nossa cavidade oral é estéril apenas por poucas horas - até um "individuo/a" nos transmitir microorganismos (aderindo depois à "nossa" mocosa oral). A partir daqui é como se existisse uma evolução, ou seja, antes da erupção dentária a flora é composta por estreptococos. Após esta erupção os primeiros microorganismos ("malandrecos") aderem à superfície. Depois, na "puberdade", há uma viragem significativa na flora oral por parte das bactérias implicadas na destruição periodontal...e assim, gradualmente, ao longo da idade. Citando o Professor "a cárie dentária é um processo patológico, que aparece na erupção do dente, consistindo no amolecimento dos tecidos duros do dente, evoluindo para a forma de cavidade". Ora, é esta evolução que nos permite distinguir (na etiologia da cárie) factores primários e secundários. Quanto primeiros, deve considerar-se o dente, a microflora e o substrato. Quanto aos segundos, deve considerar-se desde a composição da saliva, ao fluxo da saliva, à higiene oral, ao tipo de alimentação, à idade e morfologia do dente e ao grau de fluoretação (é que estes factores contribuem para o aumento ou diminuição da resistência do dente, transformando a natureza quantitativa ou qualitativa da flora para além de influenciar a cariogenicidade do substrato alimentar). Isto mal se falou...tal como pouco se disse do facto de termos dois tipos de depósito bacteriano: um aderente (constituído por bactérias filamentosas) e outro livre (em que as bactérias estão retidas pelas paredes dos tecidos moles). E isto resolve-se com um "cheque-dentário"?!
A dada altura do "programa" uma Senhora (peço desculpa, mas o nome não "apanhei") disse (cito de memória): "o contacto com o flúor é uma grande medida de saúde pública"..E eu pensei: mais uma frase "magnífica" para a OMS! De facto, a frase faz sentido, mas devemos lembrar especialmente aos jovens que, por exemplo, a periodontite não tem reversão. Assim, um caso de gengivite (ou seja, inflamação tecidual) pode evoluir para periodontite (porque apesar de haver gengivite sem periodontite, não há periodontite sem gengivite), destruindo o tecido de suporte – não sendo possível regenerar o ligamento periodontal "ad integrum" (veja-se na imagem a "membrana periodôntica"). O que fazer? Sim, a "escovagem" é o essencial e, se possível, utilizar flúor para que o dente se torne resistente ao ácido de desmineralização... Enfim, para isto não se tornar aborrecido (que já é) deixo as palavras que "recebia" sempre no fim de cada aula: "A cárie parece a doença da civilização. Portanto, coma duro, coma seco (pouco aderente) e coma vivo (não refinado)"....(Parece-me que à semelhança do PNV é preciso começar por integrar os Médicos Dentistas nos centros de saúde e ir trabalhando por ai..).

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